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6 de Abril de 2020

Descubra o erro na intervenção militar no Rio de Janeiro

Publicado por Daniel Machado
há 2 anos

O erro que a sociedade brasileira comete tanto no combate à violência quanto no combate à corrupção é partir da ideia de que o sistema não funciona por conta dos corruptos, sendo que é justamente o contrário: existem corruptos porque o sistema não funciona. Em vez de negativamente combater os corruptos, devemos positivamente construir um sistema para nossa sociedade. Sem esse entendimento a energia continuará a ser gasta inutilmente.

Todos as nações da história do mundo sempre sofreram com a corrupção institucionalizada e com a violência na vida civil, nunca houve solução verdadeira para essas questões, mas somente controle eventual. No Brasil peculiarmente esse problema parece nossa encruzilhada vital, pois por algum motivo aqui não é mais possível controlá-lo. E justamente por isso enxergo que o Brasil está prestes a entrar para a história da odisseia humana contribuindo com uma solução perene e levando ela para o resto do mundo, apesar de o noticiários apresentarem reportagens tão sem esperanças. É porque o foco está errado. A esperança depositada na polícia e política não vão resolver, porque essas duas responsabilidades nunca poderiam ser atribuídas ao governo; são responsabilidades civis, é papel de todos debater e policiar.

A raiz da violência parece difícil de ser enxergada por autoridades com suas falas austeras em seus ternos impecáveis, que por trás das aparências mais parecem crianças perdidas. A violência surge pela falta de uma estrutura de entrada do jovem para a sociedade. Sem uma estrutura muitos simplesmente não encontram essa entrada, que não é natural. É preciso desenvolver uma capacitação social e financeira, já que a sociedade, como um clube, tem regras e custa dinheiro.

Então o cidadão se sente excluído e cada dia mais passa a ignorar o coletivo e a viver anarquicamente, não por opção, mas por falta de. O foco não é descer porrada sem antes se pensar em uma porta entrada para a sociedade. Então, primeiramente, é preciso definir nossa sociedade. Nossos livros de história não contam ao longo desses pouco mais de 500 anos qualquer esforço de sequer um único brasileiro empenhado em constituir a estrutura da nossa sociedade. Então a estrutura que existe é meramente uma gambiarra que vai se construindo ao longo do tempo sem limites e sem princípios formais.

A violência no Rio de Janeiro não é a luta do bem contra o mal, é a luta entre irmãos desorientados que deveriam somar esforços contra seu verdadeiro inimigo: a hostilidade da natureza. A trajetória humana tem revelado esse viés. E uma sociedade saudável, como as emergentes da atualidade, é aquela capaz de se unir no desenvolvimento de ciência e tecnologia, que são nossas armas contra esse inimigo. No Brasil isso parece muito distante, mas não pode ser.

A união das pessoas em torno desse objetivo depende de um "sistema de união", que aqui não existe. Há várias evidências desse problema, como o fato de o Brasil ser o país com mais faculdades de direito que todo o resto do mundo somados, o que indica que temos muitas leis, endossando que nossa sociedade é um emaranhado de gambiarras que ninguém sabe de fato como funciona.

Pensem como é mais fácil gastar esforços para desenvolvermos um sistema social do que para lutarmos contra todas as crises que pipocam todos os dias nos noticiários, reiteradamente. A falta de um sistema democrático inteligível e viável é a raiz de todas as crises que existem em nosso país: violência, corrupção, miséria, improdutividade, subdesenvolvimento tecnológico, falta de empregos, excesso de leis, desordem moral, falta de harmonia entre os poderes e uma imagem desgastada no exterior.

É hora de dar o tiro certo.

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